28 Janeiro, 2010

Last Chance

"Chovia a potes numa tarde de Sábado igual a tantas outras, mas não foi isso que demoveu aquele homem de sair de casa. Não, não podia continuar a viver naquela angústia que o tinha acompanhado ao longo de tantos meses...

Tudo começara de manhã com uma mensagem no telemóvel: 'Encontra-te comigo às 16h00 no sítio do costume. Quero ver-te! Temos de resolver de uma vez por todas este assunto. Por favor...'. Por momentos ainda pensou que estivesse a sonhar, mas rapidamente se apercebeu de que tinha chegado o dia de todas as decisões.

Pouco ou nada comera durante o almoço, tal não era a forma como estava absorvido pelos seus pensamentos. Vestiu uns jeans e um pulôver preto, tirou o sobretudo do roupeiro e saiu de guarda-chuva na mão.

Pouco faltava para as 16h00 quando aquele homem, impaciente, confuso e desesperado, entrava no parque da cidade e caminhava até ao banco de madeira onde tantas conversas e sorrisos o tinham levado para um novo mundo. Sim, um novo mundo onde pôde sentir pela primeira vez o desejo de estar com alguém, o desejo de tocar em alguém, o desejo de beijar alguém. Não era difícil perceber que ele estava apaixonado, mas restava saber se aquele sentimento era mútuo ou não.

'Finalmente o momento pelo qual tanto ansiei', pensava ao ouvir as quatro badaladas dos sinos da Igreja. Tinha decidido que aquela seria a conversa do tudo ou nada, a conversa que o faria lutar ou desistir daquele amor, a conversa que poria finalmente fim a toda aquela incerteza.

Os minutos foram passando e nem sinal de vivalma. A chuva continuava a cair e aquele homem continuava sentado naquele banco de madeira à espera de um alguém que parecia nunca mais chegar. Quarenta minutos passados quando aquela espera foi interrompida pelo bip bip do telemóvel: 'Pensei que te conseguia encarar, mas é mais fácil falar do que agir. Eu cheguei à conclusão de que também gosto imenso de ti, mas a verdade é que tenho medo de me magoar com esta relação. Sim, estou a jogar pelo seguro e, se reparares, a proteger-te também! Só espero que algum dia me perdoes pela atitude que estou a tomar. Sei que não adianta de muito, mas obrigado por teres vindo! P.S. Estás muito giro com essa roupa. Beijos'.

Olhou à sua volta e viu um guarda-chuva preto a afastar-se por entre as àrvores. Soube que era quem procurava. Ainda estava surpreendido com aquele desfecho, mas nem lágrimas ou soluços tomaram conta de si. Simplesmente um grande alivio por aquele incerteza se ter resolvido finalmente. Era caso para dizer: 'Pronto para outra!"

5 comentários:

P.B. disse...

Olá

Gosto sempre muito dos teus contos, mas porquê esse final?

A verdade é que sou uma romântica incurável e custa-me perceber. Se os sentimentos existem em ambas as partes porquê ter de partir para outra?

Beijinhos

White_Fox disse...

Obrigado!
Quanto ao texto, neste caso foi por puro medo de se magoarem!

Nanny disse...

Quem não arrisca... não vive!

Não é possível passar ao lado dos sentimentos e descartá-los por medo de sentir, ou de sofrer... mais cedo ou mais tarde vai chegar-se à conclusão de que não se viveu, apenas se passou pela vida...

Eu sei que é um conto... :-)... bem escrito, inclusivamente! ;-)

Beijinhos raposinho

dmsp disse...

Olá =)

Era bom se o fim fosse mais desenvolvido pois acho que há algumas coisas ainda a explicar... na minha opinião.\\

Mas como sempre está muito bem narrado =D Gostei!

Realça, apesar do fim, de como as relações humanas podem ser complexas a níveis que o próprio ser humano tem dificuldade em compreender... Apesar de, como disseram, o fim parecer estranho mas na verdade quantos casos reais existem?

Enfrentar e superar nós mesmos também faz parte das batalhas que o amor pelo outro pode trazer... podemos fraquejar... mas quando a batalha é feita a dois... bem... essa já não é uma batalha mas sim uma dança nas coisas da vida pela melhor sintonia =P

Abraços e beijos!
;) Fiquem bem

White_Fox disse...

Nanny,

Quantas não são as pessoas que deixam fugir as oportunidades de serem felizes pelo simples facto de terem medo de arriscar? O pior é que, e como estas personagens, todas já passámos por situações em que o medo nos impediu de avançar...


dmsp,

Sim, as relações humanas são realmente complexas, mas muitas vezes são as próprias pessoas que as complicam ainda mais!
Sim, se calhar a história deveria ser mais desenvolvida. Qui çá uma segunda parte deste texto?


E mais uma vez obrigado a todos pelos comentários e pelo tempo dedicado a ler este texto
:D